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Por Betty Milan   

 

"Querido Deonísio

Goethe e Barrabás
é um livro de grande de sabedoria.

Você sabe da simpatia que tenho pela menina que deseja “morrer de amor, ancorando seu barco, não no porto do casamento... e, sim, no amor verdadeiro, que raramente estava nos matrimônios”.

Se fosse a avó dela, daria o mesmo conselho: “... viva como se fosse morrer amanhã. Esqueça o futuro. O futuro é solidão”. A avó decerto também era leitora de Sêneca.

Gostei da bela idéia do Goethe, die eigentliche Originalnatur, e da explicação de Deonísio/Barrabás: “já nascemos com tudo o que mais tarde descobriremos, mas levaremos a vida inteira para tirar de dentro de nós o que já sabemos”.

O Octavio Paz de A Dupla Chama teria delirado com “Quando um corpo se mete dentro do outro, quem oculta o corpo e seu dono, a alma dele, é o outro corpo, é a alma do outro corpo” – para Paz, o que o amante ama, é a alma do outro.

Há uma frase sua que diz respeito a todas as crônicas de quando Paris cintila : “A natureza é assim, sem precedentes em seus caminhos. Pensamos que se repete porque vemos todos os dias as mesmas coisas. Na verdade, apenas o nosso olhar é que se repete, tudo é sempre novo e diferente”

Bem verdade, meu amigo, que “o amor é grande como o mar”.

Será que o Umberto Eco cita no tratado dele a definição maravilhosa da beleza do Goethe? “a beleza não está na luz, nem na escuridão; a beleza é sempre crepuscular, algo entre o dia e a noite, sombra, algo entre a verdade e a mentira, uma coisa vaga.”

Lendo “o último tique da existência pessoal e intransferível, é dado sem nenhuma possibilidade de parceria ou orquestração”, pensei na consciência que nós escritores temos da solidão.

Last but not least, parabéns pelo “Sejamos felizes. Ser feliz é esquecer o passado sempre”. Quando eu disse ao Lacan, no final da análise, que ia fazer um bilan, ele me respondeu: “Vous en ferez peut être un Milan”.

Voilà, por hoje, e à bientôt.

Betty".

Leia um fragmento de Goethe e Barrabás

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O escritor Deonísio da Silva tem dezenas de livros publicados, entre os quais os romances Teresa d'Ávila (premiado pela Biblioteca Nacional e transposto para o teatro), A Cidade dos Padres, Os Guerreiros do Campo, Orelhas de Aluguel e Avante, Soldados: Para Trás (Prêmio Casa de las Américas em júri presidido por José Saramago, publicado também em Cuba e em Portugal). Publicados também em alemão, inglês, sueco, espanhol, francês e italiano, seus contos foram igualmente premiados: pelo MEC e pela Fundação Catarinense de Cultura, entre outras. Doutor em Letras pela USP, é professor e vice-reitor da Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Estácio de Sá. Escreve semanalmente na revista Caras (etimologia) no Observatório da Imprensa, em www.eptv.com e no jornal Primeira Página. Seus livros mais recentes são Os Segredos do Baú e A Língua Nossa de Cada Dia. Lançamento 2008: Goethe e Barrabás.

 

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